Category Archives: Platão

Plato (429–347 B.C.E.) is, by any reckoning, one of the most dazzling writers in the Western literary tradition and one of the most penetrating, wide-ranging, and influential authors in the history of philosophy. An Athenian citizen of high status, he displays in his works his absorption in the political events and intellectual movements of his time, but the questions he raises are so profound and the strategies he uses for tackling them so richly suggestive and provocative that educated readers of nearly every period have in some way been influenced by him, and in practically every age there have been philosophers who count themselves Platonists in some important respects. He was not the first thinker or writer to whom the word “philosopher” should be applied. But he was so self-conscious about how philosophy should be conceived, and what its scope and ambitions properly are, and he so transformed the intellectual currents with which he grappled, that the subject of philosophy, as it is often conceived—a rigorous and systematic examination of ethical, political, metaphysical, and epistemological issues, armed with a distinctive method—can be called his invention. Few other authors in the history of Western philosophy approximate him in depth and range: perhaps only Aristotle (who studied with him), Aquinas, and Kant would be generally agreed to be of the same rank. Stanford Encyclopedia of Philosophy

Platão – Filebo

O PRAZER

Protarco: De fato, o prazer é o maior dos impostores, e conta-se que nos prazeres do sexo, os quais são tidos como os maiores, até o perjúrio é perdoado pelos deuses, como se os prazeres fossem como crianças, completamente destituídos de senso. O entendimento, ao contrário, ou é idêntico à verdade ou, entre a totalidade das coisas, o que a ela mais se assemelha e o mais verdadeiro.
Sócrates: Na sequência, portanto, considera a justa medida do mesmo modo, e verifica se o prazer a encerra mais do que o saber, ou este mais do que o prazer.
P: Tampouco isso oferece qualquer dificuldade para ser considerado, já que, na minha opinião, nada pode ser encontrado que seja mais destituído de justa medida do que o prazer e seus arrebatamentos, e nada mais de acordo com a justa medida do que o entendimento e o conhecimento.
S: Excelente discurso. Mas prossegue e fala da terceira. É o entendimento ou o prazer que encerra mais beleza? É o entendimento mais belo do que o prazer ou o contrário?
P: Ora, Sócrates, ninguém, durante o sonho ou desperto, jamais viu ou soube que o saber ou o entendimento é disforme, ou se torna disforme em qualquer ocasião ou de qualquer modo, no presente ou no futuro.
S: Correto.
P: No caso dos prazeres, entretanto, quando flagramos alguém os experimentando, especialmente os mais intensos, percebemos que seu efeito é ridículo, se não pura e simplesmente obsceno; ficamos completamente envergonhados, ocultando-os o máximo possível da visão e os concentramos no período noturno, como se a luz do dia não os devesse testemunhar.
S: Portanto, proclamarás em toda parte, Protarco, através de mensageiros aos que estão ausentes e através do discurso aos que se acham presentes, que o prazer não é a posse mais importante, que nem sequer é a segunda mais importante, mas que para o primeiro lugar a natureza eterna escolheu a medida, a moderação, o apropriado e tudo o mais a ser considerado semelhante a estes.
P: Ao menos é o que parece ser o resultado do que foi dito agora.
S: Em segundo lugar posicionam-se o proporcional, o belo, o perfeito, o suficiente e tudo que pertence a essa classe.
P: É o que parece se evidenciar.
E se situares na terceira posição o entendimento e o saber, não te desviarás, segundo minha previsão, da verdade.
P: Talvez.
S: Tampouco se, além desses três postos, atribuíres o quarto ao que entendemos ser propriedades peculiares da alma, ou seja, ciências artes e opiniões concretas, e declarares que essas se posicionam após as primeiras três, constituindo o quarto lugar, uma vez que têm mais afinidade com o bem do que o tem o prazer.
P: Talvez.
S: A quinta posição será dos prazeres que selecionamos e definimos como indolores, e que classificamos como prazeres puros da própria alma, isto é, aqueles prazeres vinculados às ciências e que, às vezes, também estão vinculados às percepções.
P: Talvez.
S: “Mas com a sexta geração”, diz Orfeu, “a bem ordenada canção pode cessar.” Parece provável que também nossa discussão cesse com nosso sexto julgamento, após o qual nada mais nos resta fazer senão darmos um coroamento à nossa discussão.
P: Sim, é o que deveria ser feito.
[…]

© Platão – Diálogos IV (excerto) – Parmênides, Político, Filebo e Lísis – EDIPRO

Platão – Político

A MONARQUIA

Estrangeiro: […] quero dizer que há três formas de governo, tal como afirmamos no começo da discussão que agora nos atinge como um dilúvio – a monarquia, o governo dos poucos e o governo dos muitos.
Jóvem Sócrates: Sim, eram essas.
[…]
E: A monarquia […] quando combinada com boas regras escritas, o que chamamos de leis, é a melhor das seis [formas de governo]; entretanto, na ausência da lei, é difícil e a mais opressiva com que conviver.
JS: É bem possível que o seja.
E: Como, porém, poucos está no meio entre um e muitos, é preciso considerar o governo dos poucos como intermediário, tanto no bem quanto no mal. O governo dos muitos, entretanto, relativamente às outras formas de governo, é frágil em todos os aspectos e incapaz de qualquer coisa de grande importância, boa ou má, pois nele os cargos do governo são distribuídos em pequenas parcelas entre muitos indivíduos; em decorrência disso, esse é o pior dos governos quando nos governos as leis são respeitadas, ao passo que é o melhor quando o Estado vive na ilegalidade; se considerarmos em todos os governos a ausência do controle, a vida é mais desejável numa democracia, porém estando presente a ordem, a vida nessa forma de governo é pior. Mas a vida na primeira forma de governo representa de longe a primeira e a melhor […].

© Platão – Diálogos IV (excerto) – Parmênides, Político, Filebo e Lísis – EDIPRO