Category Archives: TENTÁCULO I – Divulgação Científica

Philip Ball – Critical Mass

ANIMAL SPIRITS

Keynes, however, doubted that humans are readily capable of optimal or even particularly rational choices:

a large proportion of our positive activities depend on spontaneous optimism rather than inaction, and not as the outcome of a weighted average of quantitative benefits multiplied by quantitative probabilities.

In other words, you can devise all the complicated formulas you like, but in the end most of us – including traders – are guided by instinct and impulse, by what Keynes called ‘animal spirits’.

© Philip Ball – Critical Mass (excerto) – Arrow Books

Philip Ball – Critical Mass

SURPLUS LABOUR

But here’s the catch. In a working day (which in the mid-nineteenth century could be sixteen hours long), workers can produce goods worth more than a subsistence wage. This ‘surplus labour’ is the source of the capitalists’ profits. Machines, however, do not offer surplus labour – in a competitive market, industrialists will have to buy them at a cost equal to the value of the goods they can generate. So mechanization renders workers unemployed, but does not rescue the capitalists’ profits.

© Philip Ball – Critical Mass (excerto) – Arrow Books

Philip Ball – Critical Mass

THE FORMULA

Fyodor Dostoevsky’s alter ego in Letters from the Underworld rages against the determinism that statistics threatened:

As a matter of fact, if ever there shall be discovered a formula which shall exactly express our wills and whims; if there ever shall be discovered a formula which shall make it absolutely clear what those wills depend upon, and what laws they are governed by, and what means of diffusion they possess, and what tendencies they follow under given circumstances; if ever there shall be discovered a formula which shall be mathematical in its precision, well, gentlemen, whenever such a formula shall be found, man will have ceased to have a will of his own – he will have ceased even to exist.

© Philip Ball – Critical Mass (excerto) – Arrow Books

Steven Pinker – Do que é feito o pensamento

SOBRE MÉTODOS DE CONTAGEM II

Lembre-se de que, além da capacidade universal humana de representar conjuntos de indivíduos, as pessoas conseguem acompanhar números exatos pequenos (até três ou quatro), e também conseguem estimar quantidades bem maiores, embora apenas de forma aproximada (esse era o sistema numérico por analogia documentado por Dehaene e Spelke em seu estudo com bilíngues e imagens do cérebro). Esses dois componentes da noção de número estão presentes em bebês e em macacos, e evidentemente em todas as sociedades humanas. Sistemas mais sofisticados capazes de contabilizar números exatos maiores aparecem mais tarde, tanto na história quanto no desenvolvimento infantil. Eles tendem a ser inventados quando uma sociedade desenvolve a agricultura, gera grandes quantidades de objetos indistinguíveis e precisa rastrear suas magnitudes exatas, em especial quando eles são negociados ou taxados.
[…]
Não é que seja impossível determinado tipo de linguagem se dissociar de determinado tipo de sociedade, circunstância que faria com que a hipótese whorfiana fosse por princípio impossível de pôr à prova. As línguas evoluem e divergem sob vários aspectos por causa da dinâmica interna de pronúncia e gramática e dos caprichos da história. Por essas razões, sociedades semelhantes podem ter tipos diferentes de idioma, como o húngaro e o tcheco ou o hebraico e o inglês. Para que o Determinismo Linguístico seja verdadeiro, essas diferenças tipológicas, sozinhas — e não nenhuma diferença correlacionada no tipo de sociedade —, teriam de canalizar os pensamentos das respectivas sociedades e falantes para direções diferentes. No exemplo que temos à mão, teria de haver povos impedidos de desenvolver o conjunto de práticas culturais que inclui contar por causa do acidente histórico de que sua língua por acaso não possuía palavras para números, enquanto povos semelhantes, que tiveram a sorte de falar uma língua com palavras para números, decolaram para a sofisticação matemática. No mundo real, a história mostra que, quando as sociedades ficam mais organizadas e complexas, seja por si sós ou sob a pressão de vizinhos, rapidamente desenvolvem ou tomam emprestado um sistema de contagem, independentemente do seu tipo de língua.

© Steven Pinker – Do que é feito o pensamento (excerto) – Companhia das Letras

Steven Pinker – Do que é feito o pensamento

SOBRE MÉTODOS DE CONTAGEM I

A alegação mais descarada do Determinismo Linguístico nos últimos anos é o estudo de Peter Gordon sobre a noção de números num povo amazônico. Como já lemos, Gordon defendeu a “versão mais forte” da hipótese whorfiana, e foi assim que o estudo foi descrito pela imprensa em 2004. A tribo pirahã, do Brasil, como muitos outros povos caçadores e coletores,  conta apenas com três palavras para números, que significam “um”, “dois” e “muitos”. Mesmo essas são usadas de forma imprecisa, mais ou menos como a expressão em inglês a couple, que tecnicamente se refere a dois, mas que é  muitas vezes usada para outros números pequenos.
[…]
Antigamente, eu ficava estupefato com a prevalência de sistemas de contagem “um, dois, muitos” entre povos iletrados, até que perguntei ao antropólogo Napoleon Chagnon (que tinha estudado outra tribo amazônica, os ianomâmis) como eles surgem. Ele disse que em seu dia-a-dia os ianomâmis não precisam de números exatos porque seguem os objetos como indivíduos, um por um. Um caçador, por exemplo, reconhece cada uma de suas flechas e, portanto, sabe se uma está faltando sem ter de contá-las. É o mesmo costume mental que faria a maioria de nós ter de parar para pensar se alguém nos perguntasse quantos primos de primeiro grau temos, ou quantos eletrodomésticos temos na cozinha, ou quantos orifícios temos na cabeça.

© Steven Pinker – Do que é feito o pensamento – Companhia das Letras

Steven Pinker – Do que é feito o pensamento

SOBRE DEBATES INTELECTUAIS E GARRAFAS DE VINHO

Qualquer pessoa que participe de debates intelectuais passa a reconhecer as táticas, as tramas e os truques sujos que os debatedores usam para confundir o público quanto os fatos e a lógica não estão a seu favor. Há o apelo à autoridade (“Spaulding diz isso, e ele tem um Prêmio Nobel”), a atribuição de motivos (“Firefly só está querendo chamar a atenção e conseguir dinheiro”), xingamentos (“A teoria de Driftwood é racista”) e a difamação por associação (“A Hackenbush é financiada por uma fundação que já financiou nazistas”). Talvez a mais conhecida seja a montagem e a destruição de um espantalho, um estratagema tão versátil que às vezes fica difícil imaginar como a vida intelectual sobreviveria sem ele.

A beleza do espantalho é que ele pode ser usado de inúmeras maneiras. A mais trivial é a luta de boxe com o espantalho, em que se substitui um oponente formidável por um simplório facilmente derrotável. Mas existe também o espantalho bifásico: primeiro monte a efígie, depois admita que afinal ela não é tão irreal assim, mas arme essa admissão como uma capitulação a suas críticas devastadoras. E há também o  espantalho do sacrifício, útil quando se teme estar nas beiradas da respeitabilidade: monte uma versão fanática da teoria de alguém, depois se distancie dela para comprovar sua moderação. É a mesma estratégia que os vendedores de vinho usam quando põem uma garrafa de preço exorbitante em cada prateleira. Eles sabem que compradores inseguros gravitam para a média, portanto, se houver uma garrafa de cem dólares à mostra, eles vão comprar a de trinta dólares, ao passo que, se a garrafa mais cara custasse trinta dólares, eles se contentariam gastando dez.

© Steven Pinker – Do que é feito o pensamento – Companhia das Letras

Brian Boyd – On The Origin Of Stories

STORIES AND ATTENTION

The capacity to command attention in social animals correlates highly with status—and the incapacity to gain attention marks low status, the inability to avert negative attention augurs danger (mockery, reproach, attack, or punishment), and the withdrawal of attention (ostracism, isolation) constitutes a severe punishment in itself. Status in social animals also correlates with survival and reproductive success. We therefore seek attention as a good in itself and compete do tell stories. Studies show that we spend more than half our casual conversation time in gossip. If narrative were primarily altruistic, we would hold back and wait for others to produce their gossipy gift for us. Instead we normally compete not to hide social information but to divulgue it. And when others recount a story, we often compete to offer additional details, alternative explanations, equivalents (“You think you’ve had a bad day”…”) or parallels (“But when we were in Bolivia…”). We can support our friends, challenge enemies, or make our own claim on the attention of others.

Narrative always bears at least a trace of strategy. An immigrant woman who arrived in Chicago late at night spontaneously recounted the evening’s events to a group of women as a near-rape experience, appealing to female solidarity in the face of vulnerability, but reported the same event to a mixed-sex audience as an encounter with a colorful group of weirdos, to avoid making part of her audience defensive and to appeal to their appreciation of diversity and novelty.

© Brian Boyd – On The Origin Of Stories (excerto adaptado) – Belknap Harvard