Ingrid Vorsatz – Antígona e a ética trágica da psicanálise

Ingrid Vorsatz

JUÍZO ÉTICO

O aporte que a psicanálise traz ao campo da ética advém do conceito maior freudiano. Uma vez estabelecido o inconsciente (das Unbewusste) como regente do aparato psíquico, a distinção entre ação e intencionalidade cai por terra, já que o móbil do ato pode ser inconsciente, advindo de um lugar heterogêneo – inassimilável à vontade ou à deliberação autônoma do agente. A causa é heterônoma, mas nem por isso a responsabilidade imputável ao sujeito é menor; ao contrário, a questão ética implicada na visada psicanalítica refere-se à tomada de posição do sujeito diante do que lhe advém como constrangimento do campo de Outro. Trata-se, portanto, de uma heteronomia isomórfica a uma heterotopia, indicando que a questão é topológica: advir ali onde isso era – Wo es war, soll Ich werden – implica um reviramento da problemática ética, pelo qual a causa (o desejo inconsciente) só existe (ex-siste) na medida em que é sustentada enquanto tal, em ato, por um sujeito.

“Wo es war, soll ich werden”, “Onde isso era, [eu] devo sobrevir”. Esta magistral definição que Freud nos dá do processo psicanalítico, indica-nos bem onde situar o sujeito.

Para a psicanálise, sujeito é o “ser humano submitido às leis da linguagem que o constituem e manifesta-se de forma priveligiada nas formações do inconsciente” (lapsos, actos falhados, sonhos, sintomas,etc). J. Lacan ao mostrar que o inconsciente está estruturado como uma linguagem, demonstra que só há, como sujeito, o sujeito do inconsciente.

[…]

O termo sujeito introduzido por Lacan em psicanálise serve para trabalhar com a hipótese do inconsciente sem anular a sua dimensão essencial de não-sabido (Unbewuste). “Qual é esse outro a quem estou mais ligado do que a mim, visto que no seio mais consentido da minha identidade comigo mesmo, é ele quem me agita? A sua presença só pode ser entendida num segundo grau de alteridade que o situa desde logo em posição de mediação em relação ao meu desdobramento comigo como se fosse com um semelhante.” (J.Lacan)

© Maria Belo, excerto, texto completo em: http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&link_id=309:sujeito-da-enunciacao-sujeito-do-enunciado&task=viewlink

© Ingrid Vorsatz – Antígona e a ética trágica da psicanálise (excerto) – Zahar

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