Robert K. Merton – Ensaios de Sociologia da Ciência

IMPLICAÇÕES ÉTICAS PARA O ENGENHEIRO

Devido, em parte, à especialização de funções, os engenheiros, assim como os cientistas, são doutrinados com um sentido ético de responsabilidades limitadas. O cientista, ocupado em sua tarefa distintiva de extrair conhecimento novo do domínio da ignorância, por muito tempo negou sua responsabilidade em relação aos modos como esse conhecimento foi aplicado. (A história cria seus próprios símbolos. Foi preciso uma bomba atômica para afastar muitos cientistas dessa doutrina tenazmente sustentada.)

Assim, em muitos setores, sustentou-se como absurdo que o engenheiro pudesse ser considerado responsável pelos efeitos sociais e psicológicos da tecnologia, já que é perfeitamente claro que eles não advêm de seu âmbito especial de atuação. Afinal de contas, o “trabalho” do engenheiro é —note-se quão efetivamente isso define os limites de um papel e, assim, sua responsabilidade social — aperfeiçoar os processos de produção e “não é de sua alçada” considerar seus efeitos sociais ramificados. O código ocupacional dirige a atenção dos engenheiros para os primeiros elos na cadeia de consequências da inovação tecnológica e desvia sua atenção, tanto como especialista quanto como cidadão, dos elos seguintes na cadeia como, por exemplo, as consequências para os níveis salariais e as oportunidades de emprego.

© Robert K. Merton  – Ensaios de Sociologia da Ciência (excerto) – Editora 34

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