Robert K. Merton – Ensaios de Sociologia da Ciência

AS FONTES DA HOSTILIDADE À CIÊNCIA

A hostilidade à ciência pode surgir de, pelo menos, dois conjuntos de condições, embora os sistemas concretos de valores — humanitários, econômicos, políticos, religiosos — sobre os quais se baseia possam variar consideravelmente. O primeiro conjunto envolve a conclusão lógica, embora não necessariamente correta, de que os resultados ou os métodos da ciência são hostis à satisfação de valores importantes. O segundo consiste largamente de elementos não lógicos. A ele subjaz o sentimento de incompatibilidade entre os sentimentos incorporados no éthos científico e aqueles encontrados em outras instituições. Sempre que esse sentimento é desafiado, ele é racionalizado. Ambos os conjuntos de condições subjazem, em graus variados, às revoltas atuais contra a ciência. Pode-se acrescentar que tais raciocínios e respostas afetivas também estão envolvidos na aprovação social da ciência. Mas, nesses casos, considera-se que a ciência facilita a realização de fins aprovados, e sente-se que a ciência facilita a realização de congruentes com aqueles da ciência, ao invés de emocionalmente inconsistentes com eles. A posição da ciência no mundo moderno pode ser analisada, então, como resultante de dois conjuntos de forças contrárias, que aprovam e opõem-se à ciência enquanto uma atividade social de larga escala.

© Robert K. Merton  – Ensaios de Sociologia da Ciência (excerto) – Editora 34

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