Ígor Stravinsky – Conversas

MÚSICA E MATEMÁTICA

Robert Craft – Você encara a forma musical como sendo, em certo grau, matemática?
Ígor Stravinsky – Ela é, de qualquer modo, muito mais próxima da matemática do que da literatura — não talvez da própria matemática, mas sem dúvida de qualquer coisa como o pensamento matemático ou as relações matemáticas. (Como são enganosas todas as descrições literárias da forma  musical!) Não quero dizer que os compositores pensam por equações ou tabelas de números, nem que estes sejam capazes de simbolizar a música. Tornei-me cônscio da similitude entre ambas quando era ainda estudante; aliás, a matemática era a disciplina que eu mais me interessava na escola. A forma musical é matemática porque é abstrata, e a forma é sempre ideal, desde que seja, como escreveu Ortega y Gasset, “uma imagem da memória ou uma construção de nossa mente”. Mas, embora ela seja matemática, o compositor não deve buscar fórmulas matemáticas.

© Ígor Stravinsky e Robert Craft – Conversas com Ígor Stravinsky (excerto) – Perspectiva – Debates

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