Tempo em pedra

O velho senta no banco da praça.
O ramo de jornal amassa em meio à arqueada e num baque o velho senta. Senta devagar.
As cores de bege que o compõem sentem o vento que bate úmido na sua pele, passa em seu pescoço pelo colarinho e entra pela barra da calça. Continua com uma mão a segurar o jornal, a outra mão passeia pelo colo, alisando o tecido e, dando continuidade ao movimento, se deposita na pedra do banco.
Pedra gelada, fria de vento. Seus olhos acompanham o movimento das árvores, mas sua mente está na ponta dos dedos: passa pelos poros da pedra as pontas dos dedos de praça. A pedra do banco lhe traz vida velha. Faz pensar em tudo o que compõe o tempo. Onde tudo pode ter começado e em que fim tudo pode dar.
Pedra úmida, cinza de mão. Seus dedos secos ficam molhados e o jornal se permite ser levado ao vento. A umidade entra pela palma, passa direto pelo coração e sai aos olhos na forma de uma lágrima, que escorre e encontra um leve obstáculo: um sorriso tímido.
O velho cai por si e… senta no banco da praça. Como é bom pensar longe, mas tão perto…

© Lucas Gobatti

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