Passo

O Tacílio passando ali na Domingos, não entende muito bem o que tem tudo aquilo de som. Termina a escada rolante com um impulso que não se faz a essa hora da manhã. Essa hora não. Gosta das trepadeiras pelo muro no caminho, mas porque tem tique de olhar sempre pro lado direito. Passo, passo, passo, preciso limpar esse sapa[sso]. O Tacílio vem de longe, desses olhos grudados, com resto de noite. Esse cheiro azedo, sei lá. Narina seca.
O beiço largo, acompanhando o passo das pernas, a pele escura uniforme. O olhar fixo que acompanha os começos de dias. O Tacílio é um fantasma, na verdade, acho. Anestesiado. Só é percebido quando faz falta. A recompensa da semana é o domingo; ou é a recompensa da vida? Visse. A recompensa da vida é sair da vida. Passo, passo, domingo, passo, passo, passo.
De repente uma palpitada no coração, um calafrio passando pelo peito. No soslaio, esses carros querendo falar logo de manhã! Essa hora não. Não é hora. Passa na frente da catedral, faz o sinal da cruz, só não sei muito bem quais são as expectativas. Sei lá. E precisa? Já gastou muita calçada pensando sem pensar.
Passo, passo, passo, passo, asso, asso, ass, ass, ss.

© Lucas Gobatti

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