Leonard Mlodinow – Subliminar

O PADRÃO DE RAZÕES

Imagine que você está voltando para casa, vindo de uma festa na cobertura de um hotel de luxo. Você comenta que se divertiu muito, e quem está dirigindo o carro pergunta do que você gostou na festa. “Das pessoas”, você responde. Mas será que sua alegria se origina mesmo do fascinante colóquio com aquela mulher que descreveu o best-seller sobre as virtudes de uma dieta vegana? Ou foi algo muito mais sutil, como a qualidade da música de harpa? Ou o aroma de rosas que enchia o recinto? Ou a champanhe cara que você bebeu a noite toda? Se sua resposta não foi resultado de uma verdadeira e precisa introspecção, com que bases você chegou a essa conclusão?
Quando tentamos dar uma explicação para nossos sentimentos e comportamentos, o cérebro realiza uma ação que sem dúvida o surpreenderia: faz uma busca no seu banco de dados mental de normas culturais e escolhe algo plausível. Por exemplo, nesse caso, o cérebro pode ter procurado no registro “Por que alguém gosta de festas” e escolhido “As pessoas” como a hipótese mais provável. Pode parecer o caminho mais preguiçoso, mas estudos sugerem que é o que percorremos. Quando nos perguntam como estamos, ou como vamos nos sentir, tendemos a responder com descrições ou previsões concordantes com um padrão de razões, expectativas e explicações culturais e sociais de um dado sentimento.
Se a imagem que acabei de montar estiver correta, existe uma consequência óbvia que pode ser verificada por experimentos. Uma introspecção acurada faz uso do nosso conhecimento particular de nós mesmos. A identificação de uma explicação genérica, baseada em normas sociais e culturais, não faz isso. Em consequência, se estivermos realmente em contato com nossos sentimentos, devemos ser capazes de fazer previsões sobre nós mesmos que são mais precisas que as previsões que os outros fazem a nosso respeito; mas, se confiarmos apenas em normas sociais para explicar nossos sentimentos, observadores externos deverão ser tão precisos quanto nós mesmos ao prever nossos sentimentos; e também devem cometer exatamente os mesmos enganos.

© Leonard Mlodinow – Subliminar (excerto) – Zahar

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