Platão – Político

A MONARQUIA

Estrangeiro: […] quero dizer que há três formas de governo, tal como afirmamos no começo da discussão que agora nos atinge como um dilúvio – a monarquia, o governo dos poucos e o governo dos muitos.
Jóvem Sócrates: Sim, eram essas.
[…]
E: A monarquia […] quando combinada com boas regras escritas, o que chamamos de leis, é a melhor das seis [formas de governo]; entretanto, na ausência da lei, é difícil e a mais opressiva com que conviver.
JS: É bem possível que o seja.
E: Como, porém, poucos está no meio entre um e muitos, é preciso considerar o governo dos poucos como intermediário, tanto no bem quanto no mal. O governo dos muitos, entretanto, relativamente às outras formas de governo, é frágil em todos os aspectos e incapaz de qualquer coisa de grande importância, boa ou má, pois nele os cargos do governo são distribuídos em pequenas parcelas entre muitos indivíduos; em decorrência disso, esse é o pior dos governos quando nos governos as leis são respeitadas, ao passo que é o melhor quando o Estado vive na ilegalidade; se considerarmos em todos os governos a ausência do controle, a vida é mais desejável numa democracia, porém estando presente a ordem, a vida nessa forma de governo é pior. Mas a vida na primeira forma de governo representa de longe a primeira e a melhor […].

© Platão – Diálogos IV (excerto) – Parmênides, Político, Filebo e Lísis – EDIPRO

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